terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Será Que Existe Mesmo Um Destino?

Estávamos Patrícia e eu no meu quarto hoje pela manha conversando ainda sobre os resultados dos jogos da ultima rodada do campeonato brasileiro, ela não gosta muito de futebol mas como torce para um time rival ao meu ( Eu Torço pro Coritiba e ela para o atlético) e aproveita qualquer oportunidade para me encher o saco. Após uns dois minutos de silencio ela vira bruscamente na minha direção e pergunta:

- Você acredita nessa droga de destino? Sabe aquela historia de que todo o nosso futuro, as paradas que vão acontecer estão escritas nas estrelas e tal?

Fiquei alguns segundos tentando relacionar aquela pergunta ao nosso recente assunto e já tinha uma piada na ponta da língua quando ela completou levando a nossa conversa para um ponto totalmente oposto.

-A Manuela me mandou um email, disse que você não respondeu o que ela mandou pra você. Ro ela tá preocupada você devia responde-la logo.

E como somente Patrícia conseguia fazer mudou novamente de assunto. Talvez por me conhecer muito bem não achou necessário que eu respondesse a sua pergunta.
Confesso que eu não estou lá essas coisas hoje e pensar nesse assunto não era exatamente a minha meta do hoje mas sinto que é necessário contar em como acabou a minha historia com a Manuela.
Passamos quase três anos juntas, todo o ensino médio. A primeira pessoa que percebeu o nosso lance foi claro a enxerida da Patrícia, e nos revelou que sacou tudo logo no inicio. Paty nos aceitou e ajudava quando precisávamos, confesso que se a Paty não estivesse lá eu nem sei o que faria e como andávamos as três juntas era mais difícil que alguém notasse algo entre mim e a Manu.

Era um domingo do mês de Novembro eu estava na sala da minha casa em uma seção meio masoquista, pois é, eu estava vendo domingão do faustão mas depois do terceiro " O Loco Meu!" reprimi o impulso de atirar a tv pela janela e me obriguei a somente desliga-la e no segundo seguinte ouvi a Manuela chamar o meu nome no portão , quando ela entrou vi que trazia em uma das mãos um filme peguei-o e após um beijo disse em seu ouvido que ela era a minha salvadora ela sorriu pra mim . Coloquei o filme no aparelho de dvd e sentamos no sofá agarradinhas e começamos a assistir.

Lá pelas tantas, acho que o filme estava na metade percebi que ela não estava vendo o filme, nem ao menos olhava na direção da tela, com a cabeça baixa olhava para as próprias mãos, quando percebeu o meu olhar sobre ela, me encarou e me olhou tão fundo nos olhos que cheguei a ficar arrepiada. Ficamos ali sem mexer nem um músculo sequer, vi ela abrir a boca e apesar de ainda me olhar firme sua voz saiu fraca:

- Ro eu decidi que vou para Leeds com a minha mãe. Ela precisa de mim agora e eu devo estar do lado dela.

O silencio reinou soberano, eu parecia ter perdido a capacidade de verbalizar palavras, não tinha mais o controle do meu corpo pois mesmo querendo não consegui mexer um dedo sequer nem ao menos sabia se estava respirando.

Não sei se fui eu ou se foi ela, só sei que nos beijamos com desespero e logo estávamos as duas nuas, nenhuma palavra mais foi dita. Beijei seu rosto e senti o gosto de uma lágrima e a abracei mais forte. Manuela me beijava, me mordia e com as mãos percorria o meu corpo todo e logo o sofá em que estávamos ficou pequeno demais e o chão virou o nosso palco.

Ofegantes nos abraçamos e ela sussurrou no meu ouvido que me amava e eu desmanchei por dentro. Tínhamos um pacto, não diríamos " Eu te amo " uma a outra já que concordávamos que aquelas palavras usadas tão frequentemente em uma relação nem sempre representava o que as pessoas realmente sentiam. No entanto eu nunca tive duvidas do que a Manuela sentia por mim e ela demonstrava isso toda vez que me olhava, me beijava , me abraçava, me fazia surpresas... Eu sempre me senti segura com relação ao que sentia e sabia que era correspondida, mas naquele momento ouvir aquilo foi uma sensação incrível.

Na semana seguinte o amor da minha vida embarcava para a Inglaterra com uma passagem só de ida, a Mãe da Manu descobriu que o marido manteve um caso durante anos com a vizinha e melhor amiga dela. Ela sempre foi muito apaixonada pelo marido e quando descobriu tudo perdeu o chão, decidiu ir embora do país para tentar refazer a vida ao lado dos familiares que ainda moravam em Leeds.

Manuela cogitou a possibilidade de voltar assim que completasse 18 anos mas eu a desencorajei, lá junto com os avós ela teria oportunidades melhores e tinha que aproveitar cada uma delas sem nenhuma amarra. Eu deixei o meu amor sair pela porta da minha casa assim como da minha vida. É claro que poderíamos ter mantido o namoro mas eu não queria isso pra ela e nem pra mim, com a pressão de voltar o quanto antes ela mal viveria aquela experiência e eu com a angustia da espera sofreria . Decidimos por fim naquele capitulo de nossas historias, eu fiquei e ela foi-se.
Desde então já se passaram 3 anos desde que terminamos e apesar de ter seguido a minha vida e ter tido outros relacionamentos ainda tenho ela no meu coração. Com o tempo fomos nos falando cada vez menos e nos últimos tempos trocamos apenas mensagens de aniversario e fim de ano e por isso eu não sei ao certo como ela esta, se esta namorando ou se esta com alguém.

Sinto falta do cheiro dela, do gosto do seu beijo, do som do seu riso e do seu olhar. É engraçado porque apesar de sentir tanta saudades eu aceitei bem a nossa separação e não me deixei abater, e talvez esse seja o motivo e a intenção da pergunta que a Paty me fez hoje cedo, talvez esse meu "conformismo" em ver e deixar a pessoa que eu tanto amo ir embora e cortar qualquer tipo de relação com ela seja porque no fundo eu acredite que a nossa historia não tenha acabado não pelo negocio do destino no qual eu não acredito mais eu sinto uma ligação tão forte com a Manuela, não sei explicar apenas fecho os olhos e sinto ela aqui do meu lado.

Enquanto a Manuela vai escrevendo a historia dela la em Leeds eu vou escrevendo a minha por aqui mesmo. Vivendo da melhor forma possível e quando é possível é claro, porque dessa vida só temos os nossos momentos, os que passamos e o que estamos passando o amanha eu deixo pra amanha mesmo.

Estranho ou não mas está chovendo aqui em Curitiba , na minha ilha... Eu adoro a chuva... Boas lembranças...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

HOJÊ ESTOU EM UMA ILHA.

Eu nem acredito em tudo o que me aconteceu nas ultimas semanas, minha vida virou de um jeito que eu ainda não consegui perceber se estou de pé ou estatelada no chão. Estaria mentido se dissesse que não tive tempo de postar durante esse tempo mas a verdade é que apenas hoje me senti disposta a lembrar de tudo o que aconteceu e esse sentimento, essa necessidade de reviver cada minuto eu sinto com a mesma força que sentia ao não querer nem ao menos pensar no assunto.

Telefonemas desesperados e correria, a preocupação com parentes e amigos da família de longa data que enfrentavam talvez o momento mais traumático de suas vidas, uns perderam tudo, outros a vida. Pois é, eu tenho parentes em Santa Catarina. Perdi tios, primos e pessoas a quem eu tinha muito carinho.

O pessoal da minha faculdade se organizou em pequenos grupos para arrecadar mantimentos, roupas e outras doações e foi com essas atividades que eu me distraia dia após dia tentando fazer por outros o que não podia fazer pelos meus. Foi incrível ver o quanto as pessoas foram solidarias, e isso foi um pouco consolador mas como a realidade é outra no mesmo dia eu pude constatar o quanto alguns parecem ter uma pedra de gelo no lugar do coração e a capacidade de pensar em si mesmos ate em uma situação como a qual estávamos passando. Eu estava separando caixas que tinham acabado de chegar quando um garoto me chamou rindo e pedindo que eu fizesse silencio, no caminho pediu que eu não contasse pra ninguém porque como ele mesmo disse " Se muita gente descobrir vai uma virar bagunça". Chegamos em uma sala onde algumas roupas estavam espalhadas e as pessoas desfilavam entre elas experimentando e olhando como se estivessem em um brexo, o tal garoto olhou pra mim e me disse da maneira mais simples do mundo que eu podia pegar o que quisesse. Depois eu descobri que não eram só as roupas que eles levavam pra casa mas também os alimentos, os cobertores e tudo o que achavam "legal" Da pra acreditar? Tudo o que as pessoas doavam passavam antes por uma "inspecção de qualidade" e as pessoas levavam sem remorso nenhum o que lhes interessava sem o menor pudor ou vergonha na cara.
Estou me se sentindo tão inútil porque nem mesmo com aquilo eu pude acabar, pra cada 4 pessoas que julgavam aquela atitude errada havia pelo menos uns 8 que não se importavam.Fico a imaginar não se prontificaram em ser voluntários já com essa intenção.


E para completar a historia semana passada um idiota quis fazer uma gracinha e derrubou uma caixa que pesava uns 30kg na minha mão, quebrei três dedos e posso perder o movimento de um deles porque a lesão foi muito profunda, e sabem qual foi a primeira coisa em que eu pensei quando o medico me disse isso? Que eu não poderia mais tocar violão, me senti tão mau. Eu dou aula de musica junto com um grupo de amigos em uma escola uma vez por semana, fazemos isso de graça assim as crianças aprendem música em vez de ficarem na rua se metendo em confusão. Semana passada uma aluna minha me disse que pediu ao papai-noel um violão assim ela poderia tocar para o irmãozinho que estava por vir. É incrível ver como os olhinhos dessas crianças brilham quando descobrem que podem fazer música.
Quando eu era pequena viajávamos para o sitio do meu avo que ficava no interior de Sta Catarina e eu passava horas sentada com ele em baixo de uma árvore escutando ele tocar sempre as mesmas musicas no seu velho violão, meu avo aprendeu a tocar sozinho e me ensinou apenas o fundamental, me disse que esse era o melhor jeito de aprender pois encontraria sozinha o meu jeito de tocar, o meu jeito de fazer e entender a música. Lembro de como os seus olhos se encheram de lágrimas quando um ano depois eu toquei pra ele a sua música preferida e de como fiquei aliviada por não ter me pedido que tocasse outra já que só conseguia tocar aquela.

Quando eu estou com a cabeça cheia apenas sento no canto do meu quarto com o meu violão e me sinto com 9 anos de novo, sentada do lado daquele velho por quem eu tanto tinha carinho olhando como os dedos dele tocavam nas cordas e em como formavam ângulos complicados ora em uma nota ora em outra.


Sinto como se estivesse em uma ilha hoje, uma ilha pequena com areia branquinha e fininha,uma pequena cabana, três coqueiros e uma bananeira a agua a minha volta repleta de tubarões que enquanto esperam que eu me jogue ao mar em desespero, disputam peças de roupa recém deixadas por um navio ocupado demais para me salvar. Estou presa nessa bendita ilha temendo voltar para o mundo civilizado e o encontrar mais caótico e egoísta, então fico aqui esperando a loucura chegar para então voltar e me juntar aos demais . Para completar estou sem a droga do meu violão! Aqui nessa ilha não escuto nenhum som, nenhuma melodia... nada. Nem o vento nem as ondas fazem ruídos. Não faz muito sentido mesmo, talvez tudo seja apenas um sonho, ou melhor, um pesadelo.

AH! Aproposito hoje é o meu aniversário, mas por alguma razão me falta ar nos pulmões para soprar as velinhas...