quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Da ilha para A VIDA!!!



Da ilha para a vida... Pensei nessa frase ainda ontem quando estava no ônibus voltando para Curitiba... Não posso disfarçar o sorriso no meu rosto agora...


Olhei a data da minha ultima postagem e tive um “bac”. Nossa! Quanto tempo...
Aconteceram tantas coisas... Eu não poderia deixar de escrever. Lembrar e escrever faz parte do meu processo de aceitação. Bom, primeiro quero agradecer a Bia e a Márcia pela lembrança e a todos os comentários - muito obrigada- assim que me organizar direito vou dar uma “ajeitada” no blog... Sinto-o tão melancólico – não gosto dessa palavra- Enfim...


Eu lembro exatamente o que senti no dia no dia do ultimo post, me senti estranha... Foi me dando um vazio que aos poucos foi me engolindo ate que eu não consegui mais evitá-lo. Não estava tendo muito sucesso com a fisioterapia e por conseqüência tinha dificuldade em andar de moto, logo deixei o meu trabalho. Não tinha mais vontade de estudar, passei sete dias trancada no quarto não queria ver ninguém. Sozinha e no escuro senti todas as magoas e decepções que eu tinha no coração desabar sobre mim, coisas que na época eu apenas sufoquei. Bebi igual a uma louca, não ficava sóbria nem quando sonhava e quase não comia e não dormia, estava me perdendo de mim mesma tentando me achar em algum lugar...


A revolta que eu tinha com o meu pai, por tudo que ele faz a minha mãe, por tudo que fez a mim e ao meu irmão, por ser tão burro e ignorante a ponto de não perceber que estava se destruindo, por tudo que não fez... Um pouco pela demora da minha mãe em tomar uma atitude, umas pequenas coisas, outras maiores e finalmente por Manuela... Céus... Ela me custou dois dias de reclusão, toda a dor que eu evitei sentir quando ela se foi, eu senti. Toda a saudade reprimida nesses três anos me tomou por inteira... Percebi que mesmo assim não me arrependia de não ter pedido pra ela ficar e o verdadeiro motivo de eu ter evitado falar com ela durante esse tempo é que eu tinha medo... Medo de saber da vida dela, descobrir que ela estava com alguém e que estava apaixonada, que não mais voltaria pra mim e também eu sabia que ao menor sinal de fraqueza -tanto meu quanto dela- eu não hesitaria em ir ate ela ou trazê-la pra mim. E bom, isso seria no mínimo imprudente e idiota.


Patrícia irrompeu o meu quarto e sem nenhuma paciência, mais com muito carinho me arrastou para passar o fim de ano com ela na casa de praia de seus tios. Eu não reagi, apenas fui. O natal passou e veio o ano novo... Somente o meu corpo estava presente com eles, no rosto um sorriso mecânico e o olhar vazio... Perdi a minha alma em algum lugar e não conseguia encontrá-la...

Não entrei no mar, senti medo de não ter forças para voltar para a areia.
Dois dias depois do ano novo fui com o primo da Paty comprar o que faltava para o churrasco que iríamos fazer. Não me lembro de nada muito claramente, apenas de estar no telefone com a Patrícia que me pedia para não esquecer o chocolate dela.


- Ro não esquece por favor... Ou te mato...


Falou e riu... Eu não pude responder, senti um impacto e logo meu corpo sendo empurrado com força, senti o cinto quase me rasgando no meio... Ouvi não sei como a voz da minha amiga gritando desesperadamente no telefone... Mas eu não conseguia responder... Aos poucos foi ficando tudo silencioso, como quando agente pega no sono lentamente e vai adormecendo.


Não sei quanto tempo passou eu ainda não ouvia nada, mais sentia. Sentia o gosto ferroso de sangue na minha boca e uma dor alucinante na região da barriga e sentia como se o meu corpo flutuasse, percebi que estava sendo suspensa do chão na verdade. Ouvi a voz da Paty muito perto de mim, ela chorava e eu não entendia. Abri os olhos e ela me olhou e sorriu de um jeito doce, segurou minha mão e fechou os olhos em uma prece silenciosa. Olhei ao redor e me vi em meio ao caos, pessoas nos olhando, policias e ambulâncias... O mais estranho disso tudo era que só conseguia escutar o que Patrícia me dizia, nada de sirenes, nada de médicos... Apenas a voz da minha amiga falando que tudo ia ficar bem e que estava comigo... Não senti medo e aos poucos aquela dor foi passando... Patrícia apertou mais ainda a minha mão ouvi um “não” e apaguei... De novo...


Uma S10 perdeu o controle e pegou o nosso carro em cheio na frente. Ficamos presos nas ferragens do carro e tive - não sei com o que - o meu abdômen perfurado, perdi muito sangue e fiquei mais de 20h inconsciente. Quando acordei minha mãe e o meu irmão estavam em um sofá dormindo sentados, Patrícia estava ao meu lado segurando a minha mão. A impressão que tive é a de que ela não me soltou em nenhum minuto, claro que isso não era possível. Quebrei a perna esquerda em cinco lugares e além do abdômen apenas mais uns machucados pelo corpo e pelo rosto, nada muito sério... Eu tive sorte... Muita sorte... O primo da Paty ficou em coma por 15 dias... Mas se recuperou. O motorista da S10 quase não se machucou.


No segundo dia em que eu estava internada percebi que Patrícia estava um pouco estranha, ansiosa, sei lá. Ficava andando pelo quarto, do nada parava e ficava me olhando como se quisesse me falar algo, dava um sorrisinho e voltava a andar. Ficou nisso a manha toda, e eu apesar de muito cansada tanto física como mentalmente estava puta da vida com aquele comportamento dela. Patrícia me conhece como poucos e percebeu, chegou perto de mim e olhou de uma maneira tão doce que me desarmou, passou a mão no meu rosto e falou:


-Ro, o que faria se soubesse que eu...


Ela não terminou de falar, o celular dela estava tocando... Afastou-se de mim o que me impossibilitou de ver o nome no visor... Atendeu com os olhos fixos nos meus, abriu um sorriso lindo e despediu-se da pessoa... Voltou e sentou na minha cama de frente pra mim.


- Roberta eu te amo, você sabe. Amiga você é uma das pessoas mais importantes da minha vida... - Ela fez uma pausa e mordeu o lábio nervosamente.


- Te ver se destruindo daquele jeito durante aqueles dias acabou comigo. Você sempre foi tão forte e te ver praticamente desistindo me doeu por dentro de um jeito absurdo...


Ate então ela não tinha falado uma palavra sequer sobre o que tinha acontecido. Respeitou o meu silencio e eu percebi que aquele não era o foco da questão.


-Amiga eu to do teu lado a muito tempo e você não tem idéia do orgulho que sinto de saber que sou uma das únicas pessoas que você permitiu realmente te conhecer... Roberta eu te conheço e você me conhece, e eu sei que você sabe que eu não ia ficar parada sabendo que você só precisava de um empurrãozinho pra certar a vida de vez. Você é cabeça dura e com você tem que ser tudo aos trancos e barrancos...


- Que isso Paty? Eu aqui com metade da barriga costurada, com uma perna toda quebrada e engessada e você me dando esporro? – Eu tive que rir... Patrícia riu também


- Sem drama Ro...


Deitou de leve a cabeça no meu ombro e me deu um beijo no rosto.


- Olha só Roberta, não pensa em nada... Apenas sinta e faça o que seu coração mandar. Não esquece que eu te amo tá?


- Nunca sua maluca, você faz parte da minha vida. Eu também te amo.


Paty me deu um sorriso lindo, eu não sou de demonstrar afeto verbalmente e ela ficava toda boba quando eu falava. Recebeu uma mensagem – que também não vi de quem- me deu um beijo estalado no rosto e disse que tinha que ir, mas que voltava de tarde com a minha mãe.


Fiquei pensando no que ela tinha me dito e na hora Manuela me veio na cabeça, será que a Paty esta tentando me dizer que eu devia procurá-la? Bom, não dependo mais de ninguém, estou na facu ela devia estar também. Senti um aperto no peito, e se ela não quiser voltar? Eu iria morar com ela lá... Mas e se ela não me quisesse mais?


Olhei tanto para o teto que dormi, acordei com um barulho na porta... Fiquei esperando a pessoa entrar mais isso não aconteceu. A porta foi fechada e segundos depois aberta de novo, ouvi um suspiro profundo - daqueles que agente da quando quer tomar coragem- e imediatamente um cheiro veio até mim fazendo o meu coração disparar como doido antes mesmo da pessoa entrar... Mas não precisava... Eu sabia quem era... Conhecia aquele cheiro...

Manuela entrou no meu quarto e o meu coração dessa vez parou de bater por um segundo. Foi tudo muito rápido... Logo a enfermeira entrou para ver como eu estava já que eu tinha ido de 150 batidas a 85 por min. em questão de segundos. Ela saiu do quarto eu fiquei olhando aquela criatura na minha frente... Nossa! Como estava linda! Uma mulher linda! Os olhos verdes intensos fixos nos meu. Apaixonei-me por ela de novo naquele minuto. Observei seu rosto e notei pequenas olheiras e sinais de choro, ela deu um sorriso tímido que aumentou quando notou pela maquina que o meu coração batia feito louco - de novo- . Lágrimas desciam pelo seu rosto e eu não conseguia definir a expressão do seu rosto- angustia- alivio- saudades- medo...
Aproximou-se de mim e sentou ao meu lado.


- Roberta...- Sua voz saiu fraca e rouca, estremeci na hora... - Eu imagino que você queira descansar, que deve estar fraca ... Mais eu só preciso te fazer uma pergunta... Por favor...


Eu não conseguia falar nada, podia olhar para ela um dia inteiro. Aquilo parecia ser tão irreal. Quase me belisquei...


- Eu sei que o seu corpo está machucado... Mas e... E o seu... Seu coração como esta Roberta?


Senti uma ternura tão grande naquele momento. Eu entendi exatamente o que ela quis me perguntar. Olhei no fundo olhos que eu tanto amava, minha voz saiu rouca e fraca, como a dela.


- Eu não sei Manu... - Ficou seria e rígida naquele momento, eu sorri – Eu não sei porque ele deixou de ser meu a muito tempo atrás quando eu o entreguei a uma menina linda de olhos verdes que o levou consigo para a Inglaterra...


O sorriso que ela deu iluminou o quarto inteiro, imediatamente colou os lábios nos meus e eu senti a vida me sendo devolvida com aquele beijo. Beijo que o amor da minha vida estava me dando e de uma forma tão carinhosa... Calma apesar da saudade... Cuidadosa com o meu estado... Linda... Completamente linda...


- E ela o guardou meu amor, junto com o dela... E agora... Esta te entregando... Junto com o dela...


Chorávamos as duas agora... E não sentia mais nenhuma dor... Podiam bater com um ferro na minha cabeça que aquela sensação de plenitude não me abandonaria...


- Façamos uma troca então... – falei ainda beijando a sua boca – Você fica com o meu e eu fico com o seu...


- Como sempre foi meu amor...


De tarde mamãe veio me visitar e quase teve um treco quando viu Manuela, eu já tinha contado pra ela da gente... Mamãe é águia... Contou-me que já tinha sacado tudo a muuitoo tempo. Ficou extremamente feliz a ver a “ norinha” dela... Manuela corou até a raiz do cabelo... Como era possível ela ficar ainda mais linda??


Patrícia me olhava de um canto do quarto, confirmei com a “ não “ surpresa dela com relação a presença de Manu ali o real sentido de toda aquela angustia e aquela conversa de manha, ela ficou com receio de eu ficar brava com ela por ter ligado para a Manuela e contado que eu havia sofrido um acidente e que precisava vir me ver. Agora me diz... Como posso ficar brava com uma atitude dessas? Afinal o meu amor estava ali comigo. Patrícia me conhecia muito bem e sabia que se não se metesse a minha história com a Manuela ainda ia demorar para ter uma solução. Ignorei aquela maluquinha durante um tempo e tive que fazer força para não rir da cara ansiosa com que ela me olhava. Logo a chamei e lhe dei o abraço mais forte que consegui, dizendo no seu ouvido que eu iria agradecer pelo resta da vida aquela “ intromissão” na minha vida, ela chorava muito e quando eu repeti que a amava muito, ela levantou o rosto e me fitou surpresa.


- Duas vezes em um só dia?! Manuela você realmente faz milagres... Ro você esta bem?


- Sua palhaça...



Bom gente, eu já estou bem. Voltei com a fisioterapia da mão e ainda vou ter fazer da perna Aff! Fomos para um sitio no interior do Paraná para que pudesse me recuperar, Manu foi comigo e ficou me paparicando o tempo inteiro... Linda essa mulher... O mesmo jeito de menina pelo qual me apaixonei só que mais madura e centrada... Encantadora e inebriante como sempre. O sitio era bem afastado e só levamos o essencial - NO PC - por isso tanto tempo sem postar. Mas não faltou o que fazermos por la... Rs... Nossa! Que saudades que eu estava dela...


Voltamos para Curitiba ontem porque Manuela tem que voltar para a Inglaterra e dar inicio a sua mudança para o Brasil e de volta para os meus braços. Não quero ficar longe da minha lindinha então vou com ela... O que significa mais um tempo longe do blog – vamos no sábado- mas prometo voltar com novidades e noticias boas...


É estranho ler as postagens antigas, porque apesar dos sentimentos serem os mesmos a emoção é diferente... Estranho tentar explicar...


Posso dizer pra você Manuela, meu amor que você é o sol da minha vida. Não nego que sofri durante o tempo em que nem nos falamos mais vejo que foi bom. Vivemos o nosso amor adolescente plenamente durante três anos e ficamos três separadas, tempo esse que nos fez amadurecer até em relação ao amor, que hoje vivemos com paixão e entrega plena, mas também com confiança, respeito e responsabilidade o que sentimos uma pela outra. Eu nunca vou poder dizer em palavras o quanto eu te amo ou que sinto por você. Vou demonstrar isso durante os dias em viveremos uma do lado da outra. Minha linda, te carrego no meu coração, na mente e na minha alma, ou seja, sem você eu não existo. TE AMO mto , mto mto.....


E também não poderia deixar de dizer o quanto certa “ maluquinha” é especial pra mim.


Patrícia amiga, no dia em que conheci o amor da minha vida também conheci a melhor amiga que alguém pode ter. Você esteve no meu e do nosso lado o tempo todo, e em nenhum momento nos discriminou pelo nosso amor pouco comum e tradicional. Cuidou de mim, soube me escutar e também brigar comigo, você se diz honrada de eu ter permitido você na minha vida mais Paty... A honra é minha... Sempre foi... Você me devolveu a vida varias vezes... Quando me tirou daquele quarto e quando me chamou depois do acidente, porque foi a sua voz que segui, foi o seu amor que me guiou. Falando com a Manu hoje cedo, antes de ligar o Pc agente percebeu que você se tornou o meu anjo da guarda né amiga? Sempre me tirando de furadas, me metendo em outras é verdade. Mais sempre incondicional!


Guria eu não sei mais o que falar e como você mesma me pediu eu procuro “sentir” cada dia e cada momento da vida e agradecer por ter pessoas maravilhosas comigo... A minha mãe... O meu irmão... Você minha miguxa... E a minha princesa linda... Amo vocês...


Desculpem pelo post longo mais não tinha como ser em dois... Espero em breve poder voltar a postar com freqüência e falar sobre outros assuntos... Chega de drama...
Bjus...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Será Que Existe Mesmo Um Destino?

Estávamos Patrícia e eu no meu quarto hoje pela manha conversando ainda sobre os resultados dos jogos da ultima rodada do campeonato brasileiro, ela não gosta muito de futebol mas como torce para um time rival ao meu ( Eu Torço pro Coritiba e ela para o atlético) e aproveita qualquer oportunidade para me encher o saco. Após uns dois minutos de silencio ela vira bruscamente na minha direção e pergunta:

- Você acredita nessa droga de destino? Sabe aquela historia de que todo o nosso futuro, as paradas que vão acontecer estão escritas nas estrelas e tal?

Fiquei alguns segundos tentando relacionar aquela pergunta ao nosso recente assunto e já tinha uma piada na ponta da língua quando ela completou levando a nossa conversa para um ponto totalmente oposto.

-A Manuela me mandou um email, disse que você não respondeu o que ela mandou pra você. Ro ela tá preocupada você devia responde-la logo.

E como somente Patrícia conseguia fazer mudou novamente de assunto. Talvez por me conhecer muito bem não achou necessário que eu respondesse a sua pergunta.
Confesso que eu não estou lá essas coisas hoje e pensar nesse assunto não era exatamente a minha meta do hoje mas sinto que é necessário contar em como acabou a minha historia com a Manuela.
Passamos quase três anos juntas, todo o ensino médio. A primeira pessoa que percebeu o nosso lance foi claro a enxerida da Patrícia, e nos revelou que sacou tudo logo no inicio. Paty nos aceitou e ajudava quando precisávamos, confesso que se a Paty não estivesse lá eu nem sei o que faria e como andávamos as três juntas era mais difícil que alguém notasse algo entre mim e a Manu.

Era um domingo do mês de Novembro eu estava na sala da minha casa em uma seção meio masoquista, pois é, eu estava vendo domingão do faustão mas depois do terceiro " O Loco Meu!" reprimi o impulso de atirar a tv pela janela e me obriguei a somente desliga-la e no segundo seguinte ouvi a Manuela chamar o meu nome no portão , quando ela entrou vi que trazia em uma das mãos um filme peguei-o e após um beijo disse em seu ouvido que ela era a minha salvadora ela sorriu pra mim . Coloquei o filme no aparelho de dvd e sentamos no sofá agarradinhas e começamos a assistir.

Lá pelas tantas, acho que o filme estava na metade percebi que ela não estava vendo o filme, nem ao menos olhava na direção da tela, com a cabeça baixa olhava para as próprias mãos, quando percebeu o meu olhar sobre ela, me encarou e me olhou tão fundo nos olhos que cheguei a ficar arrepiada. Ficamos ali sem mexer nem um músculo sequer, vi ela abrir a boca e apesar de ainda me olhar firme sua voz saiu fraca:

- Ro eu decidi que vou para Leeds com a minha mãe. Ela precisa de mim agora e eu devo estar do lado dela.

O silencio reinou soberano, eu parecia ter perdido a capacidade de verbalizar palavras, não tinha mais o controle do meu corpo pois mesmo querendo não consegui mexer um dedo sequer nem ao menos sabia se estava respirando.

Não sei se fui eu ou se foi ela, só sei que nos beijamos com desespero e logo estávamos as duas nuas, nenhuma palavra mais foi dita. Beijei seu rosto e senti o gosto de uma lágrima e a abracei mais forte. Manuela me beijava, me mordia e com as mãos percorria o meu corpo todo e logo o sofá em que estávamos ficou pequeno demais e o chão virou o nosso palco.

Ofegantes nos abraçamos e ela sussurrou no meu ouvido que me amava e eu desmanchei por dentro. Tínhamos um pacto, não diríamos " Eu te amo " uma a outra já que concordávamos que aquelas palavras usadas tão frequentemente em uma relação nem sempre representava o que as pessoas realmente sentiam. No entanto eu nunca tive duvidas do que a Manuela sentia por mim e ela demonstrava isso toda vez que me olhava, me beijava , me abraçava, me fazia surpresas... Eu sempre me senti segura com relação ao que sentia e sabia que era correspondida, mas naquele momento ouvir aquilo foi uma sensação incrível.

Na semana seguinte o amor da minha vida embarcava para a Inglaterra com uma passagem só de ida, a Mãe da Manu descobriu que o marido manteve um caso durante anos com a vizinha e melhor amiga dela. Ela sempre foi muito apaixonada pelo marido e quando descobriu tudo perdeu o chão, decidiu ir embora do país para tentar refazer a vida ao lado dos familiares que ainda moravam em Leeds.

Manuela cogitou a possibilidade de voltar assim que completasse 18 anos mas eu a desencorajei, lá junto com os avós ela teria oportunidades melhores e tinha que aproveitar cada uma delas sem nenhuma amarra. Eu deixei o meu amor sair pela porta da minha casa assim como da minha vida. É claro que poderíamos ter mantido o namoro mas eu não queria isso pra ela e nem pra mim, com a pressão de voltar o quanto antes ela mal viveria aquela experiência e eu com a angustia da espera sofreria . Decidimos por fim naquele capitulo de nossas historias, eu fiquei e ela foi-se.
Desde então já se passaram 3 anos desde que terminamos e apesar de ter seguido a minha vida e ter tido outros relacionamentos ainda tenho ela no meu coração. Com o tempo fomos nos falando cada vez menos e nos últimos tempos trocamos apenas mensagens de aniversario e fim de ano e por isso eu não sei ao certo como ela esta, se esta namorando ou se esta com alguém.

Sinto falta do cheiro dela, do gosto do seu beijo, do som do seu riso e do seu olhar. É engraçado porque apesar de sentir tanta saudades eu aceitei bem a nossa separação e não me deixei abater, e talvez esse seja o motivo e a intenção da pergunta que a Paty me fez hoje cedo, talvez esse meu "conformismo" em ver e deixar a pessoa que eu tanto amo ir embora e cortar qualquer tipo de relação com ela seja porque no fundo eu acredite que a nossa historia não tenha acabado não pelo negocio do destino no qual eu não acredito mais eu sinto uma ligação tão forte com a Manuela, não sei explicar apenas fecho os olhos e sinto ela aqui do meu lado.

Enquanto a Manuela vai escrevendo a historia dela la em Leeds eu vou escrevendo a minha por aqui mesmo. Vivendo da melhor forma possível e quando é possível é claro, porque dessa vida só temos os nossos momentos, os que passamos e o que estamos passando o amanha eu deixo pra amanha mesmo.

Estranho ou não mas está chovendo aqui em Curitiba , na minha ilha... Eu adoro a chuva... Boas lembranças...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

HOJÊ ESTOU EM UMA ILHA.

Eu nem acredito em tudo o que me aconteceu nas ultimas semanas, minha vida virou de um jeito que eu ainda não consegui perceber se estou de pé ou estatelada no chão. Estaria mentido se dissesse que não tive tempo de postar durante esse tempo mas a verdade é que apenas hoje me senti disposta a lembrar de tudo o que aconteceu e esse sentimento, essa necessidade de reviver cada minuto eu sinto com a mesma força que sentia ao não querer nem ao menos pensar no assunto.

Telefonemas desesperados e correria, a preocupação com parentes e amigos da família de longa data que enfrentavam talvez o momento mais traumático de suas vidas, uns perderam tudo, outros a vida. Pois é, eu tenho parentes em Santa Catarina. Perdi tios, primos e pessoas a quem eu tinha muito carinho.

O pessoal da minha faculdade se organizou em pequenos grupos para arrecadar mantimentos, roupas e outras doações e foi com essas atividades que eu me distraia dia após dia tentando fazer por outros o que não podia fazer pelos meus. Foi incrível ver o quanto as pessoas foram solidarias, e isso foi um pouco consolador mas como a realidade é outra no mesmo dia eu pude constatar o quanto alguns parecem ter uma pedra de gelo no lugar do coração e a capacidade de pensar em si mesmos ate em uma situação como a qual estávamos passando. Eu estava separando caixas que tinham acabado de chegar quando um garoto me chamou rindo e pedindo que eu fizesse silencio, no caminho pediu que eu não contasse pra ninguém porque como ele mesmo disse " Se muita gente descobrir vai uma virar bagunça". Chegamos em uma sala onde algumas roupas estavam espalhadas e as pessoas desfilavam entre elas experimentando e olhando como se estivessem em um brexo, o tal garoto olhou pra mim e me disse da maneira mais simples do mundo que eu podia pegar o que quisesse. Depois eu descobri que não eram só as roupas que eles levavam pra casa mas também os alimentos, os cobertores e tudo o que achavam "legal" Da pra acreditar? Tudo o que as pessoas doavam passavam antes por uma "inspecção de qualidade" e as pessoas levavam sem remorso nenhum o que lhes interessava sem o menor pudor ou vergonha na cara.
Estou me se sentindo tão inútil porque nem mesmo com aquilo eu pude acabar, pra cada 4 pessoas que julgavam aquela atitude errada havia pelo menos uns 8 que não se importavam.Fico a imaginar não se prontificaram em ser voluntários já com essa intenção.


E para completar a historia semana passada um idiota quis fazer uma gracinha e derrubou uma caixa que pesava uns 30kg na minha mão, quebrei três dedos e posso perder o movimento de um deles porque a lesão foi muito profunda, e sabem qual foi a primeira coisa em que eu pensei quando o medico me disse isso? Que eu não poderia mais tocar violão, me senti tão mau. Eu dou aula de musica junto com um grupo de amigos em uma escola uma vez por semana, fazemos isso de graça assim as crianças aprendem música em vez de ficarem na rua se metendo em confusão. Semana passada uma aluna minha me disse que pediu ao papai-noel um violão assim ela poderia tocar para o irmãozinho que estava por vir. É incrível ver como os olhinhos dessas crianças brilham quando descobrem que podem fazer música.
Quando eu era pequena viajávamos para o sitio do meu avo que ficava no interior de Sta Catarina e eu passava horas sentada com ele em baixo de uma árvore escutando ele tocar sempre as mesmas musicas no seu velho violão, meu avo aprendeu a tocar sozinho e me ensinou apenas o fundamental, me disse que esse era o melhor jeito de aprender pois encontraria sozinha o meu jeito de tocar, o meu jeito de fazer e entender a música. Lembro de como os seus olhos se encheram de lágrimas quando um ano depois eu toquei pra ele a sua música preferida e de como fiquei aliviada por não ter me pedido que tocasse outra já que só conseguia tocar aquela.

Quando eu estou com a cabeça cheia apenas sento no canto do meu quarto com o meu violão e me sinto com 9 anos de novo, sentada do lado daquele velho por quem eu tanto tinha carinho olhando como os dedos dele tocavam nas cordas e em como formavam ângulos complicados ora em uma nota ora em outra.


Sinto como se estivesse em uma ilha hoje, uma ilha pequena com areia branquinha e fininha,uma pequena cabana, três coqueiros e uma bananeira a agua a minha volta repleta de tubarões que enquanto esperam que eu me jogue ao mar em desespero, disputam peças de roupa recém deixadas por um navio ocupado demais para me salvar. Estou presa nessa bendita ilha temendo voltar para o mundo civilizado e o encontrar mais caótico e egoísta, então fico aqui esperando a loucura chegar para então voltar e me juntar aos demais . Para completar estou sem a droga do meu violão! Aqui nessa ilha não escuto nenhum som, nenhuma melodia... nada. Nem o vento nem as ondas fazem ruídos. Não faz muito sentido mesmo, talvez tudo seja apenas um sonho, ou melhor, um pesadelo.

AH! Aproposito hoje é o meu aniversário, mas por alguma razão me falta ar nos pulmões para soprar as velinhas...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

PorQue Uma Hora Acontece...

Um, dois, três dias... Uma semana, duas...
Estava chovendo, chovendo muito e como é Curitiba a chuva veio do nada apesar do lindo dia de sol que fazia poucos minutos antes. Entretanto naquele momento tudo o que se ouvia e via era água caindo. Eu mau conseguia escutar a professora de filosofia falando a frente da turma, fosse pela chuva ou pelo fato de que minha cabeça estava em outro lugar. Não eu não estava pensando na Manuela e nem no nosso encontro duas semanas atrás. Depois daquele dia não tivemos mais a oportunidade de um encontro a sós.
O som de um trovão fez a professora dar um pulo de susto e bater na mesa, apesar da cena engraçada eu não tive vontade de rir, estava com problemas com o meu pai que decidiu largar o emprego o passar o dia a encher a cara e ameaçar se matar caso não voltássemos pra casa. Minha mãe estava quase cedendo mas o meu irmão e eu tínhamos ressalvas, então alguém me diria " Mas todo mundo tem direito a uma segunda chance, temos que perdoar..." . Certo eu concordo, mas o que dizer de uma quarta, quinta chance? Sim pois essa não seria a primeira vez que tentávamos ajuda-lo e depois de três ou quatro messe ele voltava a fazer tudo do mesmo jeito. Nem com os seus amigos morrendo um por um fosse por cirrose ou por um acidente de carro porque estavam tão bêbados que não conseguiam distinguir um poste de um carro e acabavam batendo em um ou em outro o fazia ver que aquele vicio o faria perder tudo, o respeito dos seus filhos foi só a primeira coisa.
Enfim, eu tinha muito na cabeça.
Manuela esteve ao meu lado, respeitando o meu silencio segurando a minha mão. Isso me fez ver a pessoa maravilhosa que ela era, eu ali passando por um baita drama familiar e ela não cobrou a minha atenção e nem se importava quando eu dizia que ia ligar e esquecia. Acho que tudo aquilo nos aproximou de um jeito inexplicável, ela conheceu o meu lado mais vulnerável, as minhas fraquezas e mesmo assim sorria pra mim do mesmo jeito, me beijava do mesmo jeito, me abraçava do mesmo jeito.
As horas foram passando e a chuva continuava a cair, estávamos paradas no portão decidindo se nos arriscávamos até o ponto de ônibus ou esperávamos a chuva passar. Optamos por correr e logo nos primeiros passos já estávamos encharcadas, começamos a rir e de repente eu não tinha mais nada na cabeça sentia- me livre e leve. Manuela tinha que encontrar a mãe dela no centro e como não podia ficar com a roupa molhada por tanto tempo eu sugeri que fossemos para a minha casa, lá eu emprestaria uma roupa e um guarda-chuva.
Ao chegarmos peguei duas toalhas e subimos pro meu quarto pingando água por todo canto ainda rindo por algum motivo que agora não me lembro, tirei a camisa do uniforme meio sem perceber e fui até o meu armário pegar roupas secas, no caminho tirei o tênis as meias e quando olhei pra ela... eu não sei explicar o que senti, foi como se uma corrente elétrica percorresse todo o meu corpo e me fizesse ver a cena por outro ângulo. Ela também tinha tirado a camiseta, soltado os cabelos, tirado o sapato e ainda estava rindo ao tirar a calça, e quando se levantou viu meu rosto sério e parou de rir como que percebendo o que estava passando pela minha cabeça. Me encostei no guarda-roupa e fiquei ali não sei quanto tempo observando seu corpo lindo, ainda me lembro da lingerie que ela usava; soutien preto que fazia par com a calsinha de renda, faziam um lindo contraste com a sua pele branquinha meio arrepiada de frio.
Lentamente nos aproximamos e eu me perdi no mundo de Manuela, nos seus beijos ora lentos e suaves, ora vorazes e famintos, no seu toque, na sua pele macia como ceda, no seu cheiro quase que floral, na sua respiração quente no meu ouvido, no seu gosto, nos seus gemidos e nos seus olhos que me hipnotizavam e desvendavam todos os segredos da minha alma.
E foi naquele dia chuvoso tão tipicamente Curitbano que fizemos amor pela primeira vez, sem nada premeditado apenas aconteceu, minha mãe podia chegar a qualquer momento e nem sequer pensei nisso, ela tinha que encontrar a dela, mas esquecemos disso também. Ali naquele quarto esquecemos do mundo e o mundo esqueceu da gente.
Eu não acredito em destino, mas acredito na força da natureza e em como ela conspirou a meu favor naquele dia, o motivo que levou a Manuela até a minha casa foi o mesmo que fez a minha mãe se atrasar quase 3 horas naquele dia; a chuva. Eu que sempre gostei da chuva depois daquele dia passei a gostar ainda mais.
E Bom, posso dizer que aproveitamos muito bem aquelas horas que nos foram dadas, dentre outras coisas, um banho demorado regado de beijos , caricias e amor, muito amor, na cama, no chão.... muito amor...

Estava revendo um filme que gosto muito esse dias e que tem como trilha uma musiquinha super fofa. Ao escrever esse post eu lembrei da musica e do filme.
Quem não viu eu indico, claro! E quem já viu porque não ver de novo?
Vou por um link de um vídeo com umas cenas e com a música...

Imagine Me And You ................. The Turtles- Happy Together

Eu amo a Piper Perabo e me apaixonei pela Lena Headey nesse filme....

http://www.youtube.com/watch?v=DjTfcQgHgIg